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Mais impostos, mais pedágios. E, mais uma vez, a conta fica para o catarinense pagar.

  • 11 de jun.
  • 3 min de leitura

Participei da audiência pública que debate o futuro da BR-470 e das demais rodovias federais de Santa Catarina. Trata-se de uma pauta que acompanho há muitos anos e pela qual sempre lutei, inclusive defendendo que essa discussão acontecesse em Rio do Sul, porque ninguém conhece melhor os desafios da BR-470 do que quem vive e trabalha no Alto Vale.


Foto: Diego Sommer/Equipe Gerri Consoli
Foto: Diego Sommer/Equipe Gerri Consoli

A verdade é que Santa Catarina cresceu e se consolidou como uma das principais potências econômicas do Brasil. No entanto, nossa infraestrutura rodoviária não acompanhou esse desenvolvimento. Décadas de promessas, atrasos e investimentos insuficientes deixaram como consequência acidentes, congestionamentos, prejuízos econômicos e insegurança para milhares de pessoas que utilizam essas rodovias diariamente.


Durante a audiência, foram apresentados os estudos que fundamentam a proposta de concessão da BR-470. Segundo os dados apresentados, rodovias concedidas à iniciativa privada costumam apresentar melhores índices de qualidade, manutenção e segurança em comparação às administradas exclusivamente pelo poder público.


A proposta também prevê benefícios importantes para a economia catarinense, como redução do tempo de viagem, diminuição dos custos operacionais para empresas e transportadores e redução das perdas logísticas. São fatores que impactam diretamente a competitividade das empresas, a geração de empregos e o desenvolvimento regional.


Foto: Audiência ANTT - Rio do Sul 06/26
Foto: Audiência ANTT - Rio do Sul 06/26

Estamos falando de um corredor estratégico de 515 quilômetros, que atravessa 26 municípios e possui potencial para impulsionar a economia, aumentar a arrecadação local, atrair investimentos e novas tecnologias, além da previsão de geração de aproximadamente 92 mil empregos diretos ao longo do período da concessão.


O cronograma apresentado prevê três grandes etapas. A primeira será dedicada à recuperação inicial da rodovia, elevando a BR-470 a um padrão mínimo de qualidade, segurança e conforto para os usuários. Nessa fase serão realizados serviços de sinalização, conservação, limpeza, manutenção e recuperação dos principais trechos.

Entre o segundo e o quinto ano está prevista a recuperação das condições originais do pavimento, garantindo mais durabilidade e melhores condições de trafegabilidade. Já do sexto ao trigésimo ano ocorrerá a manutenção estrutural permanente da rodovia.


Os investimentos previstos são expressivos. Apenas no lote apresentado estão programados 58 quilômetros de duplicações, 78 quilômetros de vias marginais, 109 quilômetros de faixas adicionais, 29 passarelas, 78 novos dispositivos de interseção ou remodelações, além da correção de três pontos críticos da geometria da rodovia.


Também foi destacado que o projeto contempla uma estrutura permanente de atendimento aos usuários, com socorro médico, atendimento mecânico, monitoramento por câmeras, inspeção de tráfego, bases operacionais e diversos sistemas voltados à segurança viária.


Mas existe uma preocupação legítima que precisa ser discutida com transparência: quem vai pagar essa conta?


Os catarinenses já convivem com uma das maiores cargas tributárias do país e, além disso, passarão a contribuir por meio do pedágio para viabilizar obras e serviços que, em muitos casos, deveriam ter recebido investimentos federais há décadas.


O modelo apresentado prevê a implantação de nove estruturas de cobrança por meio do sistema Free Flow, sem cancelas, com tarifa estimada em aproximadamente 14 centavos por quilômetro rodado. O pagamento poderá ser realizado por aplicativo, por tags instaladas nos veículos ou de forma avulsa, dentro do prazo estabelecido após a passagem.


Foto: Audiência ANTT - Rio do Sul 06/26
Foto: Audiência ANTT - Rio do Sul 06/26

Outra preocupação importante envolve a garantia de que obras e intervenções já previstas para a região não sejam revisadas, reduzidas ou paralisadas durante o processo de concessão. O Alto Vale não pode correr o risco de ver projetos fundamentais voltarem para a gaveta.


Não sou contra a concessão. Em muitos casos ela pode ser um caminho necessário para acelerar investimentos e melhorar a infraestrutura. Porém, precisamos discutir com responsabilidade os valores cobrados, os prazos de execução, as garantias contratuais, os investimentos futuros e a participação efetiva do Governo Federal para que o peso dessa conta não recaia exclusivamente sobre os catarinenses.


Santa Catarina merece mais respeito. O Alto Vale merece mais atenção. Estamos falando de desenvolvimento econômico, competitividade, mobilidade e logística. Mas, acima de tudo, estamos falando de vidas humanas.


Seguirei acompanhando esse processo de perto, cobrando transparência, defendendo nossa região e lutando para que a BR-470 e as demais rodovias federais recebam os investimentos que nossa população espera há décadas.


Gerri Consoli

 
 
 

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